terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Obrigado 2008!!!


Mais um ano se finda.
Outra página da vida é virada.

Nesta página que se encerra o momento é de agradecimento.
Quantas vitórias, derrotas, perdas e decepções.
É difícil contabilizar em poucas linhas tantas emoções e dor.

Durante os 12 meses de 2008 vários sonhos foram realizados,
outros simplesmente adiados. Outros floresceram sem perceber.

Dois livros lançados. Ambos com boa repercussão. O último foi considerado por um cronista renomado de Curitiba como o livro do “ano do Paraná”. Consegui, finalmente, superar os limites ‘paroquianos’ de Campo Mourão. Mérito meu, mas também daqueles que me ajudaram e confiam no meu talento.

Neste ano que se finda, se concretiza uma luta intensa: a conclusão do curso de História. Saudades dos amigos que ficaram e superação das dificuldades impostas do começo ao fim.
Batalha vencida com sabor deliciosa de vitória.

Amigos. Neste ano soube a verdadeira essência desta palavra.
Alegrias e tristezas, vitórias e dor. Os amigos neste ano tiveram papel fundamental.
Foi a mão destes amigos valiosos que necessitei quando tudo se parecia estar perdido.

O abraço sincero. O puxão de orelha necessário.
A sinceridade, a confiança e a lealdade são os pilares destas amizades. No futuro o que foi construido será a minha única referência.

Tudo isso é acrescentado no saldo das vitórias de 2008.
Quando a vida parecia estar se acabando, foi à mão de um amigo que a fez se reacender com vigor.

A saúde deu seus sustos. Dias de solidão que foram necessários para valorizar os bons momentos. Dias de intenso aprendizado.

2008 foi o ano da superação. Vieram batalhas de todas as formas e maneiras. E mais uma vez saio delas como vitorioso. Nunca esqueço de agradecer e estender a mão grata para aqueles que me entenderem e a ajudaram a crescer.

O degrau alcançado da escada da vida sempre deve ser olhado de frente, mas jamais se deve deixar de olhar para trás aqueles que ficaram. No topo da escada inevitável será quando da queda o encontro com aqueles que permaneceram em cada degrau da vida.

Finalizo, citando as palavras do poeta Carlos Drummond de Andrade:


O último dia do ano
Não é o último dia do tempo.
Outros dias virão.

Viva 2009!!

domingo, 28 de dezembro de 2008

Bento Munhoz, o unificador do Estado.


Horácio Amaral, prefeito de Campo Mourão, ao lado de Bento Munhoz, inauguram o prédio da Fundescam. Símbolo de uma nova etapa da história do "Município Modelo" e sonho persistente do ex-prefeito.
No último domingo uma pesquisa inédita, realizada pelo jornal Gazeta do Povo e publicada com um júri de cem pessoas selecionadas, apontou Bento Munhoz da Rocha Netto como a figura mais importante do Paraná em todos os tempos.
Bento Munhoz teve fortes ligações com Campo Mourão. No exercício do cargo de Governador esteve na cidade por duas vezes. Recebeu, no Palácio São Francisco, comitiva de vereadores e posseiros que buscavam uma solução para a constante questão das terras.
Motivado com aquilo que considerava como "resumo de uma herança", denunciou o drama da não legalização das terras em Campo Mourão, na tribuna da Câmara dos Deputados em 27 de setembro de 1961. Exercia o segundo mandato de deputado federal, e também o seu último cargo eletivo.
Em 1964 foi convidado para realizar uma palestra no Instituto Santa Cruz. Nesta época estava sendo vitima de uma espécie de 'rolo compressor' montado por seus adversários. Bento Munhoz deixou de atender convite de seus correligionários de Londrina para estar em Campo Mourão.
Assistiram a palestra o prefeito Milton Luiz Pereira e o bispo Dom Eliseu Simões Mendes. Milton já o conhecia, quando estudante de direito em Curitiba, fez um discurso de saudação ao então governador Munhoz da Rocha.O baiano Dom Eliseu Simões Mendes, que estava em Campo Mourão, há menos de quatro anos, ficou impressionado com a oratória e intelectualidade de Bento Munhoz, conta os organizadores da palestra.
Depois da conferência, Munhoz da Rocha fez questão de conhecer as obras da Usina Mourão, que foi iniciada no governo do seu antecessor Moysés Lupion (1947-1951). Para ele, obra pública, independente da questão política partidária, deveria ter início, meio e fim.
Em Campo Mourão teve expressivo número de admiradores, entre eles, o advogado Horácio Amaral, que quase teve 'vetada' sua candidatura a prefeito em 1968 pelo fato de ter apoiado o ex-governador em 1965. Nesta eleição, o vereador Augustinho Vecchi rompeu com seu grupo político, (que apoiava Paulo Pimentel), para fazer campanha para Bento Munhoz. O apoio do então vereador chegou a gerar uma discussão no plenário do Legislativo Municipal em outubro daquele ano.
Nesta eleição Bento Munhoz foi derrotado por Paulo Pimentel, expoente secretário da agricultura de Ney Braga. Nos dois últimos anos de sua vida, Bento Munhoz lia semanalmente o jornal Tribuna do Interior. Recebia-os na sua residência. Todos os exemplares foram guardados no seu arquivo pessoal. Hoje sobre a guarda do Círculo de Estudos Bandeirantes.
Em janeiro de 1973, esteve pela última vez em Campo Mourão e possivelmente no interior do Paraná. Bento Munhoz foi convidado para a inauguração do prédio da Fundescam. O ato solene ocorreu em 28 de janeiro de 1973, três dias antes do término do mandato de Horácio Amaral.
Proferiu a conferência inaugural da maior conquista de Campo Mourão. Sem dúvida alguma, a consolidação do ensino superior foi à conquista mais batalhada até hoje na história de Campo Mourão.
O escritor Pedro da Veiga na sua obra "Campo Mourão – Centro do Progresso" considera o 28 de janeiro de 1973 como um "(...) dos momentos históricos mais importantes da vida mourãoense". Foi na gestão de Horácio Amaral, considerado o "prefeito-escola", que Campo Mourão montou sua infra-estrutura educacional, voltada principalmente para a zona rural. A prioridade nesta área levou o município, na época, a ser conhecido como o que mais construiu escolas no Paraná.
O prédio central da atual Fecilcam erguido pela Codusa, foi construído sem um centavo do governo estadual e federal. Bastou somente a garra persistente de Horácio Amaral e os investimentos próprios do município.
Bento Munhoz e Horácio Amaral no ato histórico hastearam os pavilhões, desataram a fita inaugural, fizeram discursos eloqüentes para a ocasião histórica e abriram uma exposição de fotografias, montada pela Assessoria de Relações Públicas do Município, com obras da gestão que se findava.
Ao trazer Bento Munhoz para a conferencia inaugural, Horácio Amaral, sem saber, estava dando um peso maior para o grande feito da sua administração.
Foi com as palavras: "... o homem que vence é aquele que caiu no denominador comum do êxito econômico, mas que fabuloso exemplo nos dá o espírito pioneiro de Campo Mourão, encontrando outros caminhos com êxito, que é o caminho da cultura, que é o caminho da conquista do espírito, esta sim, que é uma conquista eterna", que Bento Munhoz marcou a inauguração do prédio da faculdade.
Meses depois, em 12 de novembro daquele mesmo ano, o Paraná perdia um dos maiores homens da sua história.35 anos depois da sua ausência, é eleito o "unificador do estado" e "o maior paranaense da História". A sua maior e merecida eleição.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Adeus, Moysés, o médico da vida.


Foto do jornal Gazeta do Povo, edição de hoje.


Morreu ontem o médico Moysés Parciornik, de 94 anos. Ele era membro da Academia Paranaense de Letras e revolucionou a medicina. Recentemente foi homenageado com o "Prêmio Estado do Paraná" da Assembléia Legislativa. Até pouco tempo, subia e descia diariamente pelas escadas do apartamento onde residia.

Para Adélia Maria Woellner "ele era gentil, cavalheiro e generoso. Doava-se como ser humano e tratava todos com dignidade. A máxima 'ninguém é insubstituível' definitivamente não vale para ele."


Aprenda a Envelhecer sem Ficar Velho

Cheguei, passei dos oitenta.
Culpa minha não foi.
Aconteceu.
Poderia não ter acontecido.
É tudo questão de sorte ou de azar.
Sorte, quando a vida é boa e o camarada tem saúde.
Azar?
Preciso contar?
Tive sorte.
Tomara vá assim, até o fim.
Por quanto tempo?
Tanto faz, o que tiver que ser, será.

Do livro Aprenda a Envelhecer sem Ficar Velho, escrito por Paciornik em 2000.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

William Wilberforce (1759–1833)



"Deus pôs diante de mim dois grandes objetivos: a abolição da escravatura e a reforma dos costumes."
Nascido no grande porto de Hull em 1759, William Wilberforce iria, um dia, liderar a causa da abolição da escravatura no Reino Unido. A morte prematura do pai fez com que o jovem William fosse viver com os tios, influenciados por George Whitefield, um dos primeiros promotores da campanha para despertar a fé religiosa, e por John Newton, um ex-traficante de escravos e evangélico convertido.
Newton tornou-se um herói para Wilberforce, instilou nele o desejo pelo Cristo e a repulsa pelo tráfico de escravos. A mãe de William, alarmada com o desenvolvimento do filho nas “inclinações metodistas” logo o pôs num internato e na Universidade de Cambridge, numa tentativa de solapar sua fé. Cambridge iria aclarar as idéias, mas não destruir completamente sua fé.
Wilberforce, que desde cedo desejou seguir carreira na política, ingressou para a Casa dos Comuns em 1780, aos vinte e um anos. Apesar de jovem, foi um bom parlamentar, com uma voz excepcionalmente atraente que impressionava os ouvintes. Numa viagem ao Sul da França, William sofreu uma segunda conversão, que reviveu a fé de sua juventude. Ele procurou seu velho amigo John Newton. Newton o aconselhou a permanecer na política, acreditando que Deus o tivesse feito para esse propósito.
Em dois anos Wilberforce se convenceu de que deveria tomar para si a causa dos escravos. Ultrajado pelo comércio de escravos patrocinado por sua nação, propôs uma lei no Parlamento em 1787, para aboli-la. Parecia que a lei iria passar sem uma oposição significativa. No entanto, as forças pró-escravistas agruparam os possíveis apoios e derrubaram a moção de Wilberforce.
Contudo, a lei foi rejeitada, mas Wilberforce continuou a campanha, apesar dos sacrifícios pessoais que envolvia. Finalmente, em 1807, William testemunhou o Parlamento aprovar a lei da abolição por 267 votos. O triunfo deu-lhe imenso prestígio, fato que o permitiu buscar outras idéias para melhorar a qualidade e a moralidade da vida na Grã-Bretanha. Seus esforços fizeram com que a bondade, mais uma vez, estivesse em alta na Inglaterra e permitiu que fossem lançados os fundamentos do grande renascimento moral do período Vitoriano.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Agradecimento

Aos interlocutores deste blog - aqui representados pelos fiéis comentários de Tiago Valenciano e Pedro da Veiga, presentes na maioria das postagem editadas - o meu agradecimento pelo estímulo e os votos de dias muito felizes junto aos seus familiares.

Presidência abre concorrência para restaurar Planalto



A Presidência da República abriu licitação, na forma de concorrência, com o objetivo de contratar empresa especializada para executar obras de restauração do Palácio do Planalto e a modernização de suas instalações. O edital pode ser retirado até as 17 horas desta segunda-feira (22), no Protocolo situado na Portaria Principal dos Anexos do próprio Palácio do Planalto, na Praça dos Três Poderes, em Brasília. As propostas das empresas interessadas deverão ser entregues no dia 21 de janeiro de 2009, às 10 horas, no auditório do Anexo I do Palácio do Planalto.
As obras incluídas na concorrência incluem a modernização das instalações de climatização do palácio, das instalações elétricas, de dados, voz e imagem, instalações hidrossanitárias, detecção, prevenção e combate a incêndio, sistema de proteção contra descarga atmosférica, supervisão, automação e controle predial.

Obama se despede da avó e espalha suas cinzas no mar do Havaí


O presidente eleito dos EUA, Barack Obama, prestou na terça-feira suas últimas homenagens à falecida avó que ajudou a criá-lo, antes de espalhar suas cinzas no litoral havaiano.
Madelyn Dunham, a quem Obama chamava de Toot (diminutivo de "tutu", "avó" no idioma havaiano), ficou com ele quando a mãe de Obama mudou-se para a Indonésia. Ela foi decisiva na formação de Obama - que a considerava "a rocha" da família -, mas não viveu para ver a eleição dele. Com câncer, morreu aos 86 anos apenas dois dias antes da eleição de 4 de novembro.
Obama esteve no Havaí durante a campanha para vê-la pela última vez, mas não pôde ir à cerimônia de cremação. Na terça-feira, finalmente despediu-se dela, ao lado de amigos e parentes, como a esposa, Michelle, as filhas, Malia e Sasha, e a meia-irmã, Maya Soetoro- Ng.
Obama está passando duas semanas de férias em seu Estado natal antes de voltar ao continente para os preparativos para a posse, em 20 de janeiro.
A mídia foi mantida afastada do local da cerimônia, na Primeira Igreja Unitária, em Honolulu. Em seguida, Obama e cerca de 12 outras pessoas viajaram até o mirante Lanai, no extremo sudeste da ilha de Oahu, onde pularam um muro e desceram até as rochas à beira-mar para espalhar as cinzas.
Ali mesmo, há mais de dez anos, Obama espalhou as cinzas da sua mãe, também morta de câncer. Em nota divulgada antes da cerimônia, a meia-irmã de Obama disse que o presidente eleito teria uma chance de "chorar e processar emocionalmente" a perda dessa mulher tantas vezes citada por ele durante a campanha.
"Ela provou ser uma espécie de pioneira", escreveu Obama na autobiografia "Dreams From My Father". Ele lembrou que ela foi "a primeira mulher a ser vice-presidente de um banco local", onde começou como secretária para arcar com as despesas acarretadas pelo inesperado nascimento dele.
Em outubro, Obama largou a campanha para visitar a avó agonizante. Disse que não gostaria de repetir o mesmo erro de 1995, quando a mãe morreu antes que ele pudesse vê-la uma última vez.

Em discursos e entrevistas, Obama atribui muitos traços do seu caráter à avó, que o criou na ausência da mãe viajante e do pai, que morava no Quênia e também morreu precocemente.

Bento XVI nomeia bispos nas dioceses de Campo Mourão e Guiratinga


Gazeta do Povo, 24 de dezembro de 2008.
Foto de minha autoria.

O papa Bento XVI nomeou como novos bispos das dioceses de Guiratinga (MT) e Campo Mourão (PR) o irlandês Derek John Christopher Byrne e o paraguaio Francisco Javier Delvalle Paredes, respectivamente, informou nesta quarta-feira o Vaticano, em comunicado à imprensa.
Byrne, que cursou estudos de Filosofia e Teologia em seu país natal e que chegou pela primeira vez ao Brasil para exercer o sacerdócio em 1974, era há quatro anos o pároco de Santo Antônio, na diocese de Juína (MT).

Paredes era desde janeiro passado o administrador diocesano de Campo Mourão e, além disso, exercia o sacerdócio na paróquia de Nossa Senhora das Graças em Engenheiro Beltrão (PR).
Formado em Filosofia no Instituto Superior Internacional de Buenos Aires, Paredes, que também estudou em Medellín (Colômbia) e São Paulo, foi missionário no Congo em 1978.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

O 7 de dezembro de um empreendedor



Folha de São Paulo, quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

ESTÊVÃO BERTONIDA REPORTAGEM LOCAL


Rosalino nasceu em 7 de dezembro. Em 7 de dezembro, Rosalino morreu.Entre o nascimento e a morte, no domingo, contam-se exatos 83 anos vividos pelo empreendedor Rosalino Salvadori, que chegou a ser, sem muito desejar, prefeito de Campo Mourão (PR).

Há um mês, mais ou menos, havia sofrido um derrame. No sábado, devido a complicações de saúde, foi internado, mas conseguiu realizar o último desejo.Voltou para casa para comemorar o aniversário, no domingo. Almoçou em família, comeu cabrito, como queria, bebeu vinho e foi descansar. À tarde, não resistiu ao infarto que sofreu.

Natural de Cruz Alta, no RS, chegou a Campo Mourão com o pai. Olharam terras e, um ano depois, abriram uma serralheria.Nas fazendas que teve, plantou soja e criou gado. A empresa, que já não tinha o mesmo nome da montada com o pai, existe até hoje.

Nos anos 60, elegeu-se vereador. "Ele gostava dos bastidores da política, mas nunca planejou ser prefeito", lembra a filha. Eleito vice, assumiu quando o prefeito renunciou. Mas ele mesmo não ficou até o final. Renunciou por problemas de saúde.

Com tino para os negócios, chegou a presidir a associação comercial e industrial da cidade. Quando o filho acordava tarde, brincava: "Para ganhar dinheiro tem que acordar cedo". Deixa dois filhos, seis netos e um bisneto.

domingo, 21 de dezembro de 2008

Cratera formada por impacto de corpo celeste será tombada


O impacto de um corpo celeste – provavelmente um meteoro – há 130 milhões de anos criou uma cratera raríssima, que será tombada pelo patrimônio histórico estadual.
A cerimônia oficial que vai inscrever a Cratera de Impacto de Vista Alegre no livro-tombo do Paraná, será neste domingo (21), às 19h, em Coronel Vivida, Sudoeste do Estado. A solenidade contará com a presença da Secretária da Cultura, Vera Mussi, do prefeito Pedro Mezzomo, do representante do Conselho de Patrimônio e relator do processo, e Eduardo Salamuni, do geólogo da Universidade de Campinas, Álvaro Penteado.A cratera foi descoberta em 2004, por intermédio de um engenheiro florestal que pesquisava a cratera de Vargeão, em Santa Catarina.
Ele notou a semelhança entre solo das duas regiões e alertou ao geólogo Álvaro Penteado. Depois de investigações preliminares ficou evidenciado se tratar de uma das três crateras de rocha basáltica conhecidas no mundo: Cratera Lonar na Índia, a de Vargeão e a de Vista Alegre.Os pesquisadores da Unicamp, sob a orientação do geólogo Álvaro Penteado, atestam que o impacto que originou a formação da cratera ocorreu aproximadamente há 130 milhões de anos. O fenômeno caracteriza-se como de ordem astrofísica, considerado muito raro e de grande valor científico, turístico e cultural. Essa importância geográfica e histórica, não somente para a região como para a comunidade científica, é a justificativa principal para a preservação da pedreira.
TOMBAMENTO – O processo de tombamento da cratera foi iniciado em abril de 2007, quando a diretora do Departamento de Cultura de Coronel Vívida fez oficialmente o pedido à Secretária de Estado da Cultura. O objeto de tombamento trata-se de uma pedreira de pequenas dimensões, cerca de 10.450 metros quadrados, caracterizada por apresentar um afloramento de rochas, chamadas de brechas. São estas brechas as principais fontes de informação que permitiram aos geólogos determinar a origem e como se deu a formação da cratera.Esta pedreira guarda os vestígios do impacto do corpo celeste que provocou profundas transformações tanto nas rochas já existentes quanto no corpo que provocou a colisão. As paredes de pedra são nuas e apresentam altura variável de 2 a 4 metros e a cratera apresenta fragmentos de rocha triturada e minerais formados nos momento em que o provável meteorito se chocou com a crosta terrestre.

Chão de estrelas

Composição: Sílvio Caldas / Orestes Barbosa

Minha vida era um palco iluminado
Eu vivia vestido de dourado
Palhaço das perdidas ilusões
Cheio dos guizos falsos da alegria
Andei cantando a minha fantasia
Entre as palmas febris dos corações
Meu barracão no morro do Salgueiro
Tinha o cantar alegre de um viveiro
Foste a sonoridade que acabou
E hoje, quando do sol, a claridade
Forra o meu barracão, sinto saudade
Da mulher pomba-rola que voou
Nossas roupas comuns dependuradas
Na corda, qual bandeiras agitadas
Pareciam estranho festival!
Festa dos nossos trapos coloridos
A mostrar que nos morros mal vestidos
É sempre feriado nacional
A porta do barraco era sem trinco
Mas a lua, furando o nosso zinco
Salpicava de estrelas nosso chão
Tu pisavas os astros, distraída,
Sem saber que a ventura desta vida
É a cabrocha, o luar e o violão

sábado, 20 de dezembro de 2008

Gazeta do Povo: "o historiador que fugiu dos clichês".



Reportagem do jornal Gazeta do Povo de hoje.
Foto da inauguração do Palácio: Café Filho, Bento e Flora.
Arquitetura: um salto para a modernidade.
"Embora não seja um arranha-céu, o Palácio Iguaçu foi considerado um dos prédios mais modernos dos anos 50".

"Lançado recentemente, o livro Palácio Iguaçu: Coragem de Realizar de Bento Munhoz da Rocha Netto, de autoria do historiador Jair Elias dos Santos Júnior, fala dos bastidores de um dos prédios mais modernos para a época em que foi inaugurado, em 1954. O historiador fugiu dos clichês de que o Palácio fez parte do projeto do Centro Cívico, do Plano Agache. Ele lembra que o conjunto da obra, por exemplo nunca foi terminado. "As obras da residência oficial do governador, que ficavam aos fundos do Palácio, foram condenadas em 1967 e, logo em seguida, derrubadas. Isto porque, quando Munhoz da Rocha deixa o governo e a oposição assume o poder, as obras ficam abandonadas. Por isso se diz que o Palácio nunca foi completamente construído", explica. Jair lembra aindas das gafes cometidas durante a inauguração do edifício: dona Flora, mulher de Bento Munhoz, para a noite da inauguração, encomendou duas colunas de aço que teriam copos de água com hortênsias. A primeira-dama recomendava às pessoas que participaram dos preparativos para cortar as flores apenas alguns minutos antes da chegada dos convidados. As 3 mil pessoas chegaram ao Palácio, assistiram às solenidades e, quando trocaram de salão, enxergaram os copos de água dispostos em duas colunas, mas sem as hortênsias. Como não sabiam que se tratava de uma decoração, começaram a beber da água. Detalhe: a água usada nos copos era de limpeza, considerada suja e não potável. Outra gafe: os convites de inauguração foram escritos com o nome do convidado e esposa. O problema é que a pessoa que escreveu esqueceu de tirar a palavra esposa do convite do arcebispo de Curitiba.

Durante a construção do Palácio, os opositores de Bento Munhoz chegaram a considerar a obra como "faraônica", porque o governador estava deixando de atender a outras necessidades do Paraná. "Os cafeicultores o criticavam porque queriam que o dinheiro investido lá fosse destinado ao Norte do estado, para construção de estradas e de infra-estrutura", afirma o historiador. Recentemente o Palácio virou alvo de críticas novamente, porque alguns arquitetos acreditam que a reforma vai desconfigurar a arquitetura original do imóvel."

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Biografia de um Palácio


Coluna do Dante Mendonça - Jornal O Estado do Paraná, edição de hoje.
Foto de André Beltrame.


Chegou o livro que faltava na biblioteca dos paranaenses: Palácio Iguaçu: coragem de realizar de Bento Munhoz da Rocha Netto. Perfeita e bem feita é a biografia de um sonho realizado pelo casal Bento e Flora. Esta, de memória privilegiada, relembra os primeiros momentos de glória do palácio concretizado.

Bento Munhoz da Rocha Netto teve a coragem de realizar o Palácio Iguaçu, primeiro marco do Centro Cívico. O escritor e historiador Jair Elias dos Santos Júnior teve a felicidade de empreender um livro precioso. Precioso e prazeroso, do texto às belas fotos (muito bem tratadas) do acervo de família, escolhidas pela sensibilidade da escritora Flora Camargo Munhoz da Rocha. Com 347 páginas muito bem editadas, dispensando firulas gráficas que muitas vezes apagam o propósito, é o livro do ano do Paraná. E se o atento leitor estiver em busca de um singular presente de Natal, eis aí!

O "menu" oferecido pelo escritor Jair Elias dos Santos Júnior é completo, indo da arquitetura à história, passando pelos ciúmes políticos da época. Inclusive relatando o clamor da imprensa de oposição: "Curitiba dispensa os palácios" foi a manchete do jornal, com uma extensa reportagem questionando as despesas para a construção daquele "castelo". A estes, o visionário Bento respondia apontando para o futuro.

De tão saboroso livro, ressalta-se o "menu" do banquete que dona Flora ofereceu ao presidente João Café Filho e sua grande comitiva.

Os convidados tiveram como entrada um coquetel, com salgadinhos fixados em abóboras envoltas em papel alumínio. No jantar foi servido "camarão ao catupiri", uma receita vinda de São Paulo. Um dia antes, a primeira-dama pediu a Paulo Mischur (o grande gourmet de Curitiba) que experimentasse o prato, batizado então de "Marta Rocha". De sobremesa, doces típicos servidos por belas mocinhas da cidade vestidas com trajes das etnias paranaenses.
Conta o autor que dona Flora, também responsável por toda a decoração, criou um suporte de cestinhas de vime para que os pirex não deslizassem das mãos enluvadas dos garçons: "Quem lucrou com a idéia foi o dono da fábrica de vime que, tempos depois, me confessou ter faturado milhões com a minha concepção", conta Flora.

Sim, como não podia deixar de acontecer, algumas gafes marcaram os festejos: com três mil convites, os impressos recebiam subscritos os tradicionais "Sr. Fulano e exma. Senhora". Na pressa, o próprio arcebispo metropolitano mostrou a dona Flora o convite com o "Sr. Arcebispo Metropolitano e Senhora".

A melhor das gafes, das percebidas, veio de um criativo arranjo de flores idealizado por dona Flora, quatro imensas espirais de hortênsias com mais de dois metros de altura. O efeito seria "surpreendente e magnífico", como se flores azuis estivessem se erguendo em caracol: "As armações eram aspirais de ferro batido, pintado de azul e crivado de argolas que seriam suportes para os copos com água que seriam a base das hortênsias".

Tudo teria ficado uma beleza, não fosse a inabilidade da servente encarregada da montagem. As flores não foram colocadas nos seus lugares e os aspirais pareciam esqueletos crivados de copos d'água. No final do banquete, um garçom aflito e gaguejando procurou dona Flora:

- A senhora não avalia a calamidade que está acontecendo... Calcule que os convidados estão bebendo toda a água das hortênsias! Já beberam tudo, acharam a idéia ótima, e querem mais. O que faço? O que fazemos?


Flora, apertando os lábios, dominando a vontade de rir, respondeu:
- Então, agora deixe. Que mais?


- Era água sem filtro. Água de balde!


Flora perplexa:


- Água de balde? Santa Bárbara, que despropósito!
Para consolar a anfitriã, o garçom ainda acrescentou:
- De balde novo, sim senhora!
Intelectuais e elegantes, os genitores do Palácio Iguaçu tinham também uma qualidade escassa nos dias de hoje: o fino senso de humor.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Escritor visita ex-governador Paulo Pimentel



Foto de Anderson Tozato

O ex-governador Paulo Pimentel recebeu na última segunda-feira (dia 15) das mãos do escritor Jair Elias dos Santos Júnior, um exemplar do livro "Palácio Iguaçu: coragem de realizar de Bento Munhoz da Rocha Netto".


Paulo Pimentel foi governador do Parané entre 1965 e 1970, o último a ser eleito durante o Regime Militar. O empresário elogiou a qualidade da obra, e principalmente, a parte iconográfica que registra os principais acontecimentos históricos do Paraná nos últimos 50 anos.


Pimentel contou vários fatos históricos e pitorescos da sua passagem pelo prédio, entre eles, a de vacas que andavam nos jardins do Palácio. Lembrou também que estava no comando do Estado em 13 de dezembro de 1968, quando foi editado o Ato Institucional n.º 5 e que foi através do seu pedido que o presidente Costa e Silva não fechou a Assembléia Legislativa do Paraná.


"A história do Paraná é carente de bibliografia e o palácio, assim como o Centro Cívico, simbolizam a consolidação do Paraná como um Estado e de Curitiba como sua capital", disse Jair Elias na entrevista ao jornal O Estado do Paraná.Em 342 páginas, o livro traz centenas de fotos, muitas inéditas, da obra, inauguração, momentos marcantes, como visitas de presidentes e funerais de personalidades da história paranaense.


Acompanhou também a visita ao ex-governador Paulo Pimentel, o mourãoense André Felipe Pereira Martins, Representante Distrital de Interact e que fez parte da equipe do livro "Palácio Iguaçu: coragem de realizar de Bento Munhoz da Rocha Netto".

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

AI 5: 40 anos do fim da democracia no Brasil.


13 de dezembro de 1968. Nesta data, há 40 anos, a democracia dava seus últimos suspiros.
O Brasil era informado pelo locutor da Voz do Brasil, em cadeia nacional de rádio, a edição do Ato Institucional 5, conhecido como AI-5. Era a quinta edição de uma série de decretos originários com a instauração do golpe militar em 1964.

O Ato firmou o caráter ditatorial do regime instaurado em 1º de abril de 1964: fechou o Congresso Nacional e as assembléias legislativas estaduais. Deu de 'presente' ao presidente da República plenos poderes, como o de cassar mandatos eletivos, suspender direitos políticos, demitir ou aposentar juízes e outros funcionários públicos, suspender o habeas corpus em crimes contra a segurança nacional e legislar por decreto. Quando esteve no Paraná em março de 1969, o presidente Costa e Silva por instantes pensou em fechar a Assembléia Legislativa de São Paulo. O fato não se consumou devido a uma interferência do governador Paulo Pimentel.

O motivo principal da instauração do AI-5 foi uma represália à decisão da Câmara dos Deputados que negou licença para que o deputado Márcio Moreira Alves fosse processado por um discurso. No pronunciamento o parlamentar conclamou ao povo ao povo que boicotasse as festividades do dia 7 de setembro. Foi mais longe ainda: pediu que as moças não namorassem integrantes das Forças Armadas. O valente deputado concluiu seu discurso afirmando que "as Forças Armadas se tornaram valhacoutos de bandidos". A reação foi rápida. Ofendidos com o pronunciamento de Moreira Alves, os militares colocaram como prioridade a cassação do mandato do deputado.

Historiadores apontam que a recusa da Câmara em permitir o processo foi à justificativa perfeita que os militares esperavam para tornarem-se ainda mais duros. Naquela altura os adversários políticos do regime ditatorial estavam na luta armada.Em outubro de 1967, São Paulo foi palco das primeiras ações armadas da guerrilha urbana, com operações dos grupos das organizações ALN (Aliança Libertadora Nacional) e VPR (Vanguarda Popular Revolucionária). Em janeiro de 1968, houve o primeiro assalto a um banco com finalidade de expropriação financeira para a subversão. Em fevereiro, uma bomba atingiu o consulado norte-americano em São Paulo.Depois de 13 de dezembro de 1968, o Brasil assistiria a censura à imprensa e a cultura. Explodiu de maneira generalizada o uso da tortura e de assassinatos.

O contra-ataque da oposição veio rápido também: os atentados e seqüestros praticados por grupos de esquerda se multiplicaram de forma veloz.Em 1978, sob o comando do penúltimo presidente do ciclo militar, general Ernesto Geisel que o AI-5 entraria definitivamente em extinção. Iniciava o processo de redemocratização. Segundo Geisel "lenta, segura e gradual". O processo terminaria somente com dois fatos: um em 1988, com a promulgação da Constituição, e outro, com a eleição de Fernando Collor, o primeiro presidente eleito no regime democrático.

Jarbas Passarinho, ex-ministro e senador foi um dos que participaram da reunião do Conselho de Segurança Nacional que deu nascimento ao AI-5. Ele cita que o AI-5 não foi editado em função do discurso de Moreira Alves, mas em conseqüência do "aumento da violência terrorista" durante todo o ano de 1968. Ele revelou isso no seminário realizado pelo Interlegis, em agosto passado.

Segundo Jarbas Passarinho, "sem o AI-5 a esquerda e a guerrilha teriam tomado conta do país".O AI-5 simboliza na história contemporânea brasileira o eclipse da democracia no Brasil. Certo é o dito popular: "não existe mal que dure para sempre".
Artigo publicado na edição de 12 de dezembro de 2008, no jornal Tribuna do Interior.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Mérito Comunitário para Maycon Rodrigues Gozer

Na abertura da sessão ordinária realizada na noite desta terça-feira (9/12), a Câmara de Vereadores de Campo Mourão fez a entrega do Título de Mérito Comunitário ao jovem Maycon Rodrigues Gozer, em reconhecimentos pelos relevantes serviços prestados a coletividade.

Coube ao vereador Edson Lima (PPS), um dos autores da proposição para a outorga da honraria, fazer a entrega do título. Em maio de 2005, o homenageado - juntamente com outros alunos do Colégio Vicentino Santa Cruz -, recebeu o prêmio “Cientista do Amanhã” pelo trabalho de “Estudos de Impacto de Borda no Rio Canelá”. O projeto ficou em primeiro lugar na categoria Meio Ambiente O concurso “Cientistas do Amanhã” é uma seleção dos 10 melhores trabalhos de iniciação científica no Brasil, apresentado durante a reunião anual da Sociedade Brasileira de Progresso da Ciência (SBPC).

Já em junho de 2007, Maycon Gozer assumiu a presidência do Interact Campo Mourão. Entre os diversos projetos e ações desenvolvidos na sua presidência foi conseguida a doação de um painel do consagrado artista plástico Poty Lazzarotto para a Biblioteca Pública Municipal “Professor Egydio Martello”. Marcando as comemorações dos 40 anos da criação do Hino de Campo Mourão, o Interact promoveu em outubro do ano passado a apresentação da Orquestra Filarmônica do Cesumar, homenageando também a autora da canção, a professora Walkyria Gaertner Boz. No âmbito da formação de lideranças, foi na gestão de Maycon Rodrigues Gozer que Campo Mourão viu-se novamente presente na Representação Distrital de Interact, através do interactiano André Felipe Pereira Martins.

Também foi formado o segundo club interactiano da cidade, patrocinado pelo Rotary Campo Mourão Lago Azul, denominado Interact Campo Mourão “Edemilson Zarpelon”. Em junho deste ano, o homenageado assumiu a função de Protocolo Distrital e Coordenador do projeto “Um livro, um sonho” que possibilitou - somente em Campo Mourão - a arrecadação de mais de mil livros, doados para instituições de ensino da cidade. Nascido em 14 de agosto de 1987, em Campo Mourão, Maycon Rodrigues é filho de Mauricio e Lourdes Rodrigues Gozer.

“Raríssimos jovens da nossa coletividade fizeram tantas ações e projetos voltados para o bem comum, como Maycon Rodrigues Gozer. Ao homenagear este destacado jovem, reconhecemos também os esforços e a importância da juventude na construção da Campo Mourão de todos nós”, destaca Edson Lima.Também os vereadores Carlos Koch (PPS) e Roque de Freitas (PMDB) subscreveram o projeto que concedeu o título.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Adeus, Rosalino Salvadori.


Rosalino Mansuetto Salvadori morreu e nasceu na mesma data - 7 de dezembro. O gaúcho que foi prefeito de Campo Mourão nasceu em 1925, na localidade de Santa Bárbara, município de Cruz Alta, no Rio Grande do Sul. Filho de João Batista Salvadori e Plácida Emilia Salvadori.


Cruz Alta pertence à Mesorregião do Noroeste Rio-Grandense e à Microrregião de Cruz Alta. A cidade é conhecida como Município do Guarani, dos Tropeiros e de Érico Veríssimo. Em 1952, com apenas 28 anos de idade, deixou Lagoa Vermelha e transferiu-se para Campo Mourão.


Nesta primeira viagem, veio acompanhado com seu pai. Observaram durante um dia e meio as terras que pretendiam instalar uma serraria. De imediato, compraram as terras e cerca de um ano depois, com as máquinas instaladas, a serraria já estava em operação.Em abril de 1953, vieram seus familiares. Trouxe sua esposa Adelaide – grávida de sete meses, e o filho Gérson. A menina Ody, nasceu no mês de junho, no hospital dos médicos José Carlos Ferreira e Manoel Andrade. Eles contrariam núpcias em 12 de outubro de 1949.


Em 1963, Rosalino Mansuetto Salvadori já era um nome respeitado em Campo Mourão e na Região. Simbolizava sucesso e empreendorismo. O sucesso empresarial era fruto de organização de suas empresas, pela sua visão de negócios e pela prosperidade que teve seus empreendimentos. Tinha um lema, galgado nas palavras: "capacidade de trabalho e honestidade pessoal".


Foi eleito Vereador em 1963 com 571 votos pelo PDC – Partido Democrático Cristão, que estava em fase de expansão no Paraná. Nas eleições de 1960 o PDC foi o responsável pela vitória de Ney Braga ao Palácio Iguaçu. Abrindo num novo ciclo na política paranaense.Rosalino Salvadori foi o candidato a vereador mais votado naquela acirrada eleição. Nela disputaram o cargo de prefeito o jovem advogado Milton Luiz Pereira e o empresário Ivo Mário Trombini, pioneiro conceituado na cidade e Miguel Balabuch. Na campanha daquele ano contou com a presença do senador Juscelino Kubitschek, ex-presidente da República. O comício foi realizado na praça Getúlio Vargas três dias antes do pleito. Mesmo com a presença de JK, venceu o advogado Milton Luiz Pereira com 6.054 votos contra 3.130 do empresário Ivo Mário Trombini e 432 votos de Miguel Balabuch.


Em 5 de dezembro de 1963, Rosalino Salvadori tomou posse na função de vereador, sendo eleito também presidente da Câmara Municipal. Permaneceria por poucos meses na presidência do Legislativo. Em 18 de março de 1964, de acordo com a Emenda Constitucional 06/64, procedeu-se a escolha do cargo de Vice-prefeito. Foram indicados os nomes de Horácio Amaral (pelo vereador Zamir José Teixeira) e de Rosalino Salvadori (pelo vereador Augustinho Vecchi. Feita a votação para preencher o cargo, ficou empatado com cinco votos cada candidato e um voto em branco. Consultado o Tribunal Regional Eleitoral, foi eleito Rosalino Mansuetto Salvadori, através da Resolução n.º01/64, por ser um ano mais velho que Horácio Amaral. A posse do primeiro Vice-prefeito de Campo Mourão ocorreu no dia 1º de maio de 1964 no Cine Plaza.


Em 1966, em 18 de setembro, foi criada a Codusa – Companhia de Desenvolvimento, Urbanização e Saneamento de Campo Mourão. O primeiro presidente da companhia foi o vice-prefeito Rosalino Salvadori. A empresa foi a responsável pelas obras do Mercado Municipal, da Estação Rodoviária a da pavimentação das vias públicas do centro da cidade, considerado na época o asfalto mais barato do Brasil.


Sua exemplar organização tornou os custos da Estação Rodoviária 75% do investimento autofinanciável. Em dezembro de 1966, Rosalino assumia a Prefeitura por 30 dias, com a licença do prefeito Milton Luiz Pereira. Em 28 de abril de 1968, o prefeito Milton Luiz Pereira enviou mensagem ao Poder Legislativo, comunicando a sua renúncia ao cargo, para exercer a função de Juiz Federal Substituto do Paraná.


Na data seguinte, a Câmara Municipal se reuniu e deu posse ao novo prefeito. Rosalino Salvadori assumia a função com grande responsabilidade perante a opinião pública, pois Campo Mourão tinha escolhido pelo Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário (INDA) o "Município Modelo do Paraná".A despedida do ex-prefeito Milton Luiz Pereira foi um dos maiores atos políticos e eufóricos da história de Campo Mourão. Ela foi marcada com a doação de um veiculo fusca (único carro até hoje do ex-prefeito) e até de uma galinha doada por um agricultor.


Em maio daquele ano, por proposição do vereador Augustinho Vecchi, foi aprovado um voto de confiança ao novo prefeito de Campo Mourão. Salvadori manteve um bom relacionamento com os vereadores, participando de suas sessões e prestando contas de seus atos.No dia 7 de agosto de 1967 encaminhou para apreciação dos vereadores o projeto de Lei que "institui o Fundo Municipal de Ensino Superior" destinado a manter a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras e da Fundação Educacional de Campo Mourão. Mesmo a idéia não prosperando, foi o primeiro passo para a implantação do ensino superior em Campo Mourão.


Como prefeito, Rosalino Salvadori presidiu as festividades do 20º aniversário de Campo Mourão, marcadas com a inauguração da Estação Rodoviária e pela concessão do Título de Cidadão Honorário ao ex-prefeito Milton Luiz Pereira. As festividades foram marcadas com vários eventos, entre eles, uma palestra do pintor Teodoro De Bonna, um dos ícones da pintura paranaense.Com problemas de saúde, oficializou sua renúncia ao cargo de Prefeito em 5 de fevereiro de 1968.


Foi substituído pelo presidente da Câmara, Augustinho Vecchi, que completou o mandato até 31 de janeiro de 1969, com a posse de Horácio Amaral.Foi eleito presidente da Acicam – Associação Comercial e Industrial de Campo Mourão no dia 6 de fevereiro de 1969. Na presidência da entidade defendeu a criação de um parque industrial. "Um município da tamanha importância de Campo Mourão precisa logo de um distrito industrial, que dê desenvolvimento a um setor prioritário" disse na época.


Presidiu a Associação Comercial de 1969 a 1970.Foi fundador e presidente da Cooperativa de Eletrificação Rural de Campo Mourão. Exerceu a convite do prefeito José Pochapski,a presidência da Fucam – Fundação Educacional de Campo Mourão durante a administração 1983/1988.


Em 1967, a Salvadori Indústria e Comércio de Madeiras crescia em Campo Mourão. A empresa comercializava madeiras de pinho em geral e tinha filiais em Mamborê e Cascavel. Naquele ano as receitas do grupo representavam 848 caminhões de produtos comercializados, ou seja, dois caminhões por dia. No final dos anos de 1970 fundou a Comasa – Comércio de Máquinas Salvadori, responsável pela comercialização de equipamentos agrícolas.


Paralelo a nova atividade, Rosalino mantêm a Salvadori Indústria e Comércio e adquiri novas terras no Paraná, Mato Grosso e no Paraguai. Os negócios estiveram em amplo crescimento até o final dos anos 90, quando se afastou devido a complicações de saúde.


Discreto, mantinha uma excelente relação com seus funcionários. Existem dezenas de relatos de pessoas que foram auxiliadas pelo empresário. Longe da arena política, acompanhou de perto todas as sucessões municipais. Em 1988 e 2004 manifestou apoio público aos candidatos Augustinho Vecchi e Nelson Tureck, ambos vitoriosos.


Rosalino Mansuetto Salvadori faleceu aos 83 anos de idade, por problemas de saúde, que já vinha enfrentando durante alguns anos.