domingo, 22 de fevereiro de 2009

Tal pai, tal filho


O fotógrafo oficial do presidente Lula, Ricardo Stuckert, é de uma família com tradição no Planalto. Seu pai, Eduardo, foi o responsável pelas imagens de João Figueiredo

As trajetórias do último militar e do primeiro operário na Presidência do Brasil cruzam-se em um sobrenome. Roberto Stuckert foi o fotógrafo oficial do ex-presidente João Figueiredo e Ricardo Stuckert é o responsável pelas imagens de Lula. Símbolos de uma família que soma outros 31 colegas de profissão, pai e filho conhecem como poucos os corredores do Palácio do Planalto.
O caminho dos Stuckert rumo ao coração do poder brasileiro começou na Suíça. Após a Primeira Guerra Mundial, o bisavô de Ricardo, Eduardo Roberto Stuckert, embarcou de Lausanne em direção à América do Sul, sem destino definido. Na primeira parada, encantou-se com a Paraíba e por lá ficou. Além de fotógrafo, era pintor e tradutor. Passou o primeiro ofício aos filhos, depois aos netos.

Regra dos fotógrafos é não ver, ouvir ou falar
Roberto Stuckert passou três ensinamentos ao filho Ricardo. O fotógrafo presidencial não pode ouvir, ver ou falar. “Nosso manual é o mesmo daqueles macaquinhos”, brinca Stuckão.
Tirar histórias de bastidores da boca de ambos é praticamente impossível. Perguntado, por exemplo, sobre o temperamento de Lula durante a crise do mensalão, Stuckinha desconversa. Roberto, neto do pioneiro Eduardo, foi um dos que herdou o dom da fotografia e, aos 16 anos, já cobria sua primeira campanha presidencial, entre o marechal Henrique Lott e Jânio Quadros, em 1960. “Mesmo eu sendo muito jovem, o Lott já havia me chamado para ser fotógrafo oficial dele. Só que ele perdeu e eu tive de esperar mais 20 anos”, lembra Roberto.
Nas idas e vindas da corrida eleitoral, Roberto conheceu Brasília e acabou mudando-se para a capital. Em pouco tempo ganhou prestígio e abriu uma agência de fotografia, a Stuckert Press. O escritório empregava quase toda a família e enviava o material do Planalto para os grandes jornais do país.
Foi no início dos anos 70 que conheceu Figueiredo. O general queria que Roberto o ensinasse a captar boas imagens de cavalos – a paixão do futuro presidente pelos animais era tanta que ele chegou a dizer que preferia o cheiro deles ao do povo. “Eu me lembro de quando tinha 11 anos e ia com o meu pai à Granja do Torto, no sábado. Ele fotografava os bichos e eu brincava, sem saber qual seria o meu futuro”, diz Ricardo, bisneto do pioneiro da família.
Três anos mais tarde, Ricardo começou a fotografar. Nascia o profissional Stuckinha, em contraponto ao pai, Stuckão. Duas décadas depois e vários veículos nacionais no currículo (como o jornal O Globo e as revistas Caras e Veja), Stuckinha cruzou com Lula durante a cobertura das eleições de 2002. Ele trabalhava na revista IstoÉ e tinha uma difícil missão – produzir ensaios com os principais candidatos, que incluíssem fotos da intimidade de cada um.
Convencer Anthony Garotinho, Ciro Gomes e José Serra foi fácil. O problema era o ressabiado Lula, que já havia perdido três disputas seguidas. Após semanas de negociação com os assessores, Stuckinha recorreu diretamente ao presidente e conseguiu passar uma hora no apartamento do petista, em São Bernardo do Campo (SP). Do ensaio, saiu a melhor foto da campanha, em que Lula rosnava para a cadela Michele. Depois disso, Stuckinha seguiu na cola do candidato e ganhou a confiança do futuro presidente.
A admiração de Lula pelas fotos levaram ao convite para ser o fotógrafo oficial da Presidência. Antes de decidir se aceitava o cargo, Stuckinha recorreu ao pai. Stuckão falou do volume de trabalho e da falta de privacidade. “Você será o fotógrafo do presidente; vai ter de tomar cuidado com tudo o que faz na vida pessoal”, aconselhou Roberto.
Ricardo aceitou, mas impôs uma condição: ele faria a foto oficial de Lula, remetida a todas as repartições públicas do país. Mais uma vez, a família conseguiu impor a sua marca e selou outra semelhança histórica entre dois homens tão opostos. Entre todos os presidentes brasileiros, apenas Lula e Figueiredo posaram para a foto oficial com um sorriso estampado no rosto.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Arquivo Público do PR debate no Rio abertura dos documentos da ditadura

Representantes da Secretaria de Estado da Administração e da Previdência (Seap) participaram nesta quinta-feira (19), no Rio de Janeiro, de uma reunião coordenada pela Casa Civil da Presidência da República para tratar da implantação do “Memórias Reveladas”, projeto do governo federal que visa a abertura dos arquivos da ditadura militar (1964-1985). O Arquivo Público do Paraná, vinculado à Seap, é uma das dez instituições em todo o país que integram o programa.O Paraná foi, há 18 anos, o primeiro Estado brasileiro a abrir os arquivos da ditadura: em 1991, o governador Roberto Requião decretou a extinção da Delegacia Ordem Política e Social (Dops) do Estado e a abertura dos documentos à sociedade. Os 92 metros lineares de documentos, as mais de 47 mil fichas individuais e 3,7 mil pastas temáticas passaram a compor o acervo do Arquivo Público.

SOBRE O PROJETO - O “Memórias Reveladas” prevê a criação de um espaço físico – o Centro de Referência das Lutas Políticas no Brasil – e um portal na internet pelo qual todo cidadão, de qualquer parte do mundo, terá acesso ao acervo dos antigos órgãos de repressão do regime militar. O centro deverá ser instalado na sede do Arquivo Nacional, onde foi a reunião desta quinta-feira, na capital fluminense.O encontro teve justamente o objetivo de definir procedimentos, ações e instrumentos técnicos e legais que viabilizem a publicação de todo esse acervo a ser consolidado. A historiadora Tatiana Marchette, coordenadora do Arquivo do Paraná, e o assessor jurídico da Secretaria da Administração e da Previdência, Rodrigo Gava, foram os representantes do governo do Paraná no encontro.

PATROCÍNIO - Para efetivar a integração dos acervos, as entidades conveniadas ao “Memórias Reveladas” recebem auxílio financeiro, obtido por meio de patrocínios de instituições como a Associação Cultural do Arquivo Nacional (Acan), Petrobrás, Eletrobrás e Caixa Econômica Federal. E ainda as orientações técnicas necessárias para que as informações sejam compiladas de forma padronizada. O processo de descrição e digitalização do acervo do Arquivo Público do Paraná, para incorporação ao portal, iniciou-se em dezembro, informa a historiadora Tatiana Marchette. O trabalho consiste em analisar documento por documento; identificar o documento seguindo padrões fixados pelo Arquivo Nacional; e registrar um a um no sistema de informática, em plataforma web (internet), desenvolvido especificamente pelo Arquivo Nacional para o “Memórias Reveladas”.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Tu quoque, Brutus, fili mi!

General, estadista, orador, historiador e legislador romano. Foi um dos homens mais cultos de seu tempo e um dos maiores chefes militares de toda história. Seu nome tornou-se título honorífico dos imperadores romanos.
Caius Julius Caeser nasceu em 12 ou 13 de julho de 100 a.c. em Roma numa família aristocrática, filho de patrícios. Teve uma educação esmerada e se tornou bom conhecedor do grego e da gramática e estudou oratória na escola de Rodes.
Casou-se com Cornélia, filha de um dos principais inimigos de Sila, que exercia o poder em Roma. Com essa união, atraiu a inimizade do ditador e afastou-se da cidade, indo para a Ásia em 82 a.c. Quando Sila morreu, em 78 a.c., voltou à Itália e interessou-se pela atividade política de onde pode demonstrar suas qualidades. Em 69 a.c. por sua posição política, teve de mudar-se para a província da Hispânica Ulterior (Andaluzia e Portugal). Por essa época morreu sua mulher e ele se casou com Pompéia, parente distante de Pompeu.
Em 60 a.c. voltou para Roma e depois de filiar-se ao partido democrático, chegou ao consulado. Promulgou leis agrárias em favor do povo e dos soldados, exerceu forte controle sobre o Senado e realizou um bom governo nas províncias romanas. Assumiu o proconsulado da Gália transalpina e cisalpina.
César revela seu gênio militar, aumentando ainda mais o Império Romano até a Grã-Bretanha e até o Reno.
Participou do primeiro triunvirato ao lado de Pompeu e Crasso. Com a morte de Crasso, disputou o poder com Pompeu que era apoiado pelo Senado.
Quando em 52 a.c. Pompeu foi nomeado consul e obteve do Senado o decreto que destituía César do comando da Gália (atual França e Bélgica), este atravessou o Rio Rúbicon à frente de suas legiões onde teria pronunciado a famosa frase: Alea jacta est (A sorte está lançada) e em 2 meses tomou conta de toda a Itália. Pompeu fugiu para a Grécia e depois para o território egípcio, onde foi assassinado. Esta vitória aliada a outras fez César tornar-se Imperador e profectus morum, exercendo o poder quase absoluto.
As lutas pelo trono do Egito e a insegurança que isso trazia ao poder de Roma, tornaram necessária a intervenção do próprio César, que instalou Cleópatra no trono daquele país. Com Cleópatra, César teve um filho, Cesarion. César então teve o título de ditador e concentrou todo o poder em Roma. Reformou as instituições, conferiu maior celebridade à justiça, estimulou o crescimento econômico, aperfeiçoou o governo das províncias e promoveu festas para alegrar o povo.
Outra frase célebre de César dita em 47 a.c. na Ásia foi Veni vidi vici (Vim, vi e venci) e de fato ele venceu em todas as batalhas.
César compartilhava das privações e dificuldades junto aos seus soldados, estes o adoravam e ele participava das campanhas sempre a cavalo, mostrando assim um físico e um temperamento muito fortes. Ele também reformou o calendário e astrônomos egípcios o auxiliaram, estabelecendo o ano de 365 dias e ano bissexto de 4 em 4 anos. O mês de julho foi batizado em honra do César.
O status literário de César deriva das histórias que narram suas campanhas:- Histórias da conquista das Gálias;- Histórias das lutas contra Pompeu e seus aliados. Outras obras escritas por César:-Anticatão - resposta ao elogio de Catão de Útica, publicada por Cícero;-De Analogia - tratado gramatical dedicado a Cícero;-Discursos - esta obra se mostra à altura dos maiores oradores;-Édipo - uma tragédia;-Laudes Herculis - coleção de poemas;-Comentarius - sobre campanhas de guerra.
César sempre foi clemente com os adversários e governou visualizando o interesse geral. Graças a essas reformas, Júlio César conquistou enorme apoio popular, em compensação, os ricos (aristocratas e patrícios) sentiram-se prejudicados em seus privilégios e começaram a conspirar. O centro dessa conspiração era o Senado, controlado por patrícios.
No dia 15 de março de 44 a.c., quando Júlio César entrava no Senado, os conspiradores o envolveram armados de punhais. Júlio Cesar recebeu 23 punhaladas, e suas palavras derradeiras demonstram antes de tudo um coração dilacerado pela ingratidão, especialmente de Brutus, filho único e adotivo: Tu quoque, Brutus, fili mi! (Até tu, Brutus, meu filho!). O assassinato de César provocou uma verdadeira revolta popular. Supõe-se que seus assassinos não tinham apenas motivos políticos, como também agiram por inveja e orgulho ferido. A dor do povo tornou-se ainda mais profunda com a célebre oração de Marco Antonio ante o cadáver de César, mais tarde queimado em uma pira no Fórum.
A obra de Júlio César não desapareceu com sua morte. Concebeu e realizou um governo de homens livres unidos numa única comunidade e assentou os alicerces do Império Romano, base perdural da civilização ocidental.
Fontes: Geocities.yahoo.com.br/irapuanbarbariz/os_notaveis/caio_julio_cesar.htm Educacional.com.br

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Lincoln fascina a América 200 anos após seu nascimento


Eleito em 4 de março de 1861, foi reeleito em 1864, e governou até 1865, quando foi assassinado. Sua eleição para a presidência dos Estados Unidos, em 1860, provocou manifestações que levariam à Guerra de Secessão, mas soube mais que nenhum outro preservar a unidade do país durante essa guerra civil.
Cerca de 10.000 livros foram escritos sobre ele desde a sua eleição em 1860. "Um livro sobre Lincoln por semana! Nosso 16º presidente foi tema de obras em mais oportunidades do que todos os nossos presidentes juntos, do que todas as figuras históricas, à exceção de Jesus", declarou recentemente o senador pelo Illinois, Dick Durbin, da comissão do Bicentenário.
"Não há grandes coisas a se dizer de mim", disse Lincoln em uma curta apresentação autobiográfica para a sua campanha presidencial de 1859.
Honesto, visionário e ambicioso, qualidades não faltam para se referir àquele que os historiadores consideram o maior presidente da história dos Estados Unidos. "Ele é o maior, absolutamente", resume para a AFP Harold Holzer, historiador, co-presidente da comissão do Bicentenário.
"Ele se tornou uma figura que permaneceu forte na memória enquanto que, quando vivo, era um personagem muito controverso, violentamente criticado por suas posições contra a escravidão", acrescentou Marc Miccozzi, ex-diretor do Museu Nacional de Medicina.
"Estes são os únicos restos mortais de um presidente em exercício", disse Tim Clarke, porta-voz do museu, diante de partes de seu crânio e da única bala de chumbo retirada durante a autópsia --encravada por 15 cm no cérebro do primeiro presidente americano assassinado.
Para o 200º aniversário, cerca de 50 exposições serão realizadas no país. Em Washington, cerimônias oficiais terão lugar no Lincoln Memorial e no Congresso, enquanto que o Ford''s Theater, onde foi morto no dia 15 de abril de 1865, foi reaberto após uma longa reforma, tendo em cartaz uma peça sobre... Lincoln.
O efeito Obama soma-se a esse fascínio renovado.
O 1º presidente negro, que simbolicamente utilizou a Bíblia de Lincoln para prestar juramento, não esconde a sua admiração política pelo ex-presidente republicano.
"Neste aniversário, Obama comemora o aniversário do povo. Obama não só o admira, mas ele percebe ''a tarefa incompleta'' da América da qual falava Lincoln em seu discurso de Gettysburg, ou seja, o acesso a oportunidades para todos", afirmou Harold Holzer.
O próprio personagem de Lincoln, sua aparência física, os tristes episódios de sua vida familiar continuam a excitar a curiosidade.
Livros mencionaram uma depressão crônica. "Como poderia não ser depressivo na Casa Branca com uma guerra civil?", explicou Marc Miccozzi. Seu antecessor, o presidente James Buchanan teria até dito: "se você está tão feliz de entrar (na Casa Branca) como eu estou de sair, você deve ser o mais feliz dos homens".
"Tantas doenças foram diagnosticadas em Lincoln que era difícil acreditar que ele estava vivo no momento de sua morte", brincou Holzer.
Em 1991, cientistas tentarão em vão analisar seus restos com o objetivo de determinar se teria sido acometido pela doença genética de Marfan. Sua altura acima da média (1,93 m) para a época, e o tamanho de seus ossos, a morte de três de seus quatro filhos "levam a crer que há 50% de chances de que seja esse o caso", segundo Miccozzi que acompanhou a polêmica na época.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Discurso de Gettysburg - Lincoln



O Discurso de Gettysburg é um dos grandes discursos proferidos na língua inglesa, o mais conhecido discurso de Lincoln, possivelmente o mais importante presidente americano, e um discurso político essencial para a história americana e da democracia ocidental.
O assunto principal do discurso é a nova Democracia a instituir após a Guerra Civil, com a participação dos negros libertos da escravatura, não sendo preciso mais do que reafirmar os objectivos do sistema político criado com a Revolução Americana de 1777:
Um governo do povo, pelo povo e para o povo, consagrado ao princípio de que todos os homens nascem iguais.

Há 87 anos, os nossos pais deram origem neste continente a uma nova Nação, concebida na Liberdade e consagrada ao princípio de que todos os homens nascem iguais.
Encontramo-nos actualmente empenhados numa grande guerra civil, pondo à prova se essa Nação, ou qualquer outra Nação assim concebida e consagrada, poderá perdurar. Eis-nos num grande campo de batalha dessa guerra. Eis-nos reunidos para dedicar uma parte desse campo ao derradeiro repouso daqueles que, aqui, deram a sua vida para que essa Nação possa sobreviver. É perfeitamente conveniente e justo que o façamos.
Mas, numa visão mais ampla, não podemos dedicar, não podemos consagrar, não podemos santificar este local. Os valentes homens, vivos e mortos, que aqui combateram já o consagraram, muito além do que nós jamais poderíamos acrescentar ou diminuir com os nossos fracos poderes.
O mundo muito pouco atentará, e muito pouco recordará o que aqui dissermos, mas não poderá jamais esquecer o que eles aqui fizeram.
Cumpre-nos, antes, a nós os vivos, dedicarmo-nos hoje à obra inacabada até este ponto tão insignemente adiantada pelos que aqui combateram. Antes, cumpre-nos a nós os presentes, dedicarmo-nos à importante tarefa que temos pela frente – que estes mortos veneráveis nos inspirem maior devoção à causa pela qual deram a última medida transbordante de devoção – que todos nós aqui presentes solenemente admitamos que esses homens não morreram em vão, que esta Nação com a graça de Deus venha gerar uma nova Liberdade, e que o governo do povo, pelo povo e para o povo jamais desaparecerá da face da terra.
ABRAHAM LINCOLN

19 de Novembro de 1863
Cemitério Militar de Gettysburg
Pensilvânia, Estados Unidos da América

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Osíris, o embaixador da paz

Uma vida inteira interrompida pela crueldade. Osíris Del Corso, 22 anos, gostava de ajudar as pessoas carentes. Dedicava grande parte de seu tempo para criar projetos sociais que colaborassem com a sociedade. Em casa, deixou uma pilha de livros que havia juntado para formar uma biblioteca itinerante: era para as crianças do Uberaba e da Vila das Torres. Ele era presidente do Rotaract – grupo de jovens do Rotary Clube da Avenida das Torres que promovem ações sociais. No ano passado, ele havia recebido o título de Embaixador da Paz.

Segundo o presidente do Rotary, Luiz Alberto da Cruz, a condecoração é um resumo do que Osíris era capaz de fazer pelos outros: estava sempre disposto a ajudar. Ele cursava o 3º período de Direito da UniCuritiba e havia trancado, temporariamente, a vaga no curso de Ciências Sociais da Universidade Federal do Paraná (UFPR), porque não tinha tempo de fazer as duas graduações. Tatiana Denczuk, tia dele, conta que Osíris tinha um interesse maior pela parte social do Direito. “O trabalho voluntário era a vida dele. Ele também gostava de música”, conta. A família da mãe de Osíris é de origem ucraniana e o rapaz, por muito tempo, participou do grupo de dança ucraniana de Curitiba.
Ele conheceu a namorada há quatro anos no Rotaract. Ficaram amigos e depois veio o namoro: há dois anos o casal se dividia entre os estudos, as pessoas carentes e um grande hobby: explorar a natureza. Segundo o pai da jovem, ela adora praia e trilhas. Ela faz três cursos de graduação ao mesmo tempo: Farmácia, Bioquímica e Educação Física e mora sozinha há um ano, desde que o pai se mudou para outro estado por causa do trabalho – ele está em Dourados (MS), e, a mãe, em João Pessoa (PB). Ela pratica judô e jiu-jítsu desde pequena. “Acredito que o homem que cometeu essa brutalidade em Caiobá precisou bater muito nela, porque ela tem o costume de reagir. Chego a pensar que possam ser dois homens e não apenas um”, comentou o pai.
O pai, que é advogado criminalista, afirmou que a moça levou um tiro e não dois. “Também não acredito que o homem que atirou tenha voltado ao local do crime. Penso que ela tenha se confundido. ” Ontem à noite, o pai da moça foi até o velório de Osíris. Ele conhecia o rapaz mas não havia falado pessoalmente com a família dele.